Quando se fala em medicina regenerativa aplicada ao esporte, a terapia com células-tronco é o procedimento que mais gera dúvida — e também o que mais aparece cercado de promessas exageradas. Vale então começar pelo que ela é de fato: a coleta de células do próprio paciente e a reintrodução delas na estrutura lesionada, para estimular o processo de reparo do tecido.
De onde vêm as células
O material é retirado do próprio corpo do paciente, normalmente da medula óssea ou do tecido adiposo. Depois de processado, é aplicado no ponto da lesão. Por ser material autólogo — do próprio paciente — o risco de rejeição é reduzido, e o tratamento pode ser ajustado à necessidade específica de cada caso.
Em que lesões é usada
Na traumatologia esportiva, a terapia celular é aplicada sobretudo em estruturas com má capacidade natural de cicatrização: tendões com degeneração crônica, ligamentos parcialmente comprometidos e cartilagem com desgaste. Aparece também em lesões musculares de repetição e em quadros de dor articular persistente que não responderam à fisioterapia e à medicação.
A lógica é a mesma que orienta o restante do trabalho do instituto: é uma alternativa considerada quando o tratamento conservador não resolveu e o paciente quer evitar ou adiar a cirurgia.
O que esperar do resultado
Os objetivos são redução da dor, ganho de funcionalidade e uma recuperação mais consistente, com menor chance de reincidência quando o atleta retorna à atividade. É importante entender que se trata de um processo biológico: a melhora acontece ao longo de semanas, acompanhando o reparo do tecido, e não de um dia para o outro.
Também não é um tratamento que dispensa reabilitação. Sem recuperar força e padrão de movimento, a estrutura tratada volta a receber a mesma sobrecarga que gerou a lesão.
Quem não é candidato
Rupturas completas com perda de continuidade da estrutura, instabilidades graves e desgastes articulares avançados tendem a exigir procedimento cirúrgico. Nesses casos, a terapia celular pode entrar como complemento ao redor da cirurgia, mas não como substituta. A definição sempre passa por avaliação individual, com exame clínico e de imagem.
Perguntas frequentes sobre terapia celular
A terapia com células-tronco substitui a cirurgia?
Em parte dos casos, sim — especialmente em lesões parciais e degenerativas, em que o objetivo é estimular o reparo antes de partir para um procedimento invasivo. Em lesões com ruptura completa ou instabilidade importante, ela não substitui a cirurgia.
O procedimento é feito em quantas etapas?
Envolve a coleta do material, o processamento e a aplicação na região lesionada, geralmente no mesmo dia. O número de aplicações depende do quadro e da resposta do paciente.
Quanto tempo até sentir melhora?
Por depender de um processo de regeneração tecidual, a melhora costuma ser progressiva ao longo de semanas. Alívio imediato não é o resultado esperado desse tipo de tratamento.
Atleta amador também pode fazer?
Pode. O instituto atende tanto atletas de alta performance quanto praticantes amadores, e a indicação depende da lesão, não do nível de competição.
Conheça em detalhe a terapia com células-tronco do ITESP.