Tornozelo de corredor em destaque
O entorse de tornozelo é a lesão esportiva mais frequente — e a mais negligenciada.

Torcer o tornozelo é tão comum que virou banalidade: gelo, repouso alguns dias, dor passando e a vida segue. O problema é o que fica para trás. Boa parte dos pacientes que chegam ao instituto com tornozelo instável não sofreu uma lesão grave — sofreu várias pequenas, mal resolvidas, ao longo dos anos.

O que realmente acontece no entorse

No movimento clássico, o pé gira para dentro e os ligamentos da parte externa do tornozelo são estirados além do limite. Dependendo da força, há alongamento excessivo, ruptura parcial ou ruptura completa dessas estruturas. Junto disso, receptores responsáveis por informar ao cérebro a posição da articulação também são afetados.

Essa segunda parte é a mais esquecida. É ela que explica por que alguém com o ligamento já cicatrizado continua "perdendo" o tornozelo em piso irregular: a articulação ficou estável no exame, mas o controle do movimento não voltou.

Por que a lesão se repete

A dor de um entorse leve costuma ceder em uma ou duas semanas, e é aí que a maioria interrompe o tratamento. Só que a recuperação do ligamento e, principalmente, do controle motor leva mais tempo do que a dor. Voltar ao esporte apenas porque não dói mais é o que abre a porta para a torção seguinte.

Com o tempo, o ciclo cobra a conta: instabilidade crônica, sobrecarga na cartilagem da articulação e, em alguns casos, lesões condrais que já não têm relação direta com o trauma original.

Como o tratamento completo é conduzido

A primeira etapa é definir o grau da lesão e descartar fratura ou lesão associada, o que exige exame clínico e de imagem. Controlada a fase aguda, o foco passa a ser recuperar amplitude, força e equilíbrio — trabalho progressivo, que inclui apoio em superfícies instáveis e gestos parecidos com os do esporte praticado.

Quando existe dor persistente em um ponto específico, inflamação que não cede ou lesão de tendão associada, entram as terapias regenerativas e as infiltrações guiadas por ultrassom, aplicadas exatamente no local acometido.

Quando o tornozelo já está instável há anos

Nesses casos, o alvo do tratamento muda: não é mais a lesão aguda, é a consequência dela. A avaliação verifica o estado dos ligamentos, da cartilagem e do tendão de aquiles, e o plano combina reabilitação com procedimentos regenerativos. A cirurgia entra quando a instabilidade é grande e não responde ao tratamento conservador.

Perguntas frequentes sobre entorse de tornozelo

Quanto tempo demora para recuperar de um entorse?

Um entorse leve costuma deixar de doer em uma ou duas semanas, mas a recuperação funcional completa — força, equilíbrio e confiança no apoio — normalmente leva de quatro a seis semanas, variando com o grau da lesão e o esporte praticado.

Preciso fazer exame de imagem em toda torção?

Não em todas. A avaliação clínica define a necessidade. Dor intensa, incapacidade de apoiar o pé, inchaço muito grande ou sensação de estalo no momento do trauma são sinais que pedem investigação por imagem.

Tornozelo que estala e falha tem tratamento?

Tem. Instabilidade crônica é justamente um dos quadros mais tratados na traumatologia esportiva, com reabilitação orientada e, quando indicado, procedimentos regenerativos ou cirúrgicos.

Posso correr com o tornozelo enfaixado?

Bandagem e tornozeleira ajudam em fases específicas da recuperação, mas não substituem o trabalho de força e controle. Usá-las para voltar antes da hora costuma apenas adiar o próximo entorse.

Veja como o instituto trata a região no segmento de pé e tornozelo.